MANUAL DO CANDIDATO - INTERCÂMBIO DE JOVENS

MANUAL DO CANDIDATO


CONTEÚDO PARA A PROVA DE SELEÇÃO DO INTERCÂMBIO DE JOVENS
DISTRITO 4770
2017/2018



Prezados candidatos,

É com muita alegria que recebemos a todos como candidatos desta seleção de Intercâmbio de Jovens. Preparamos este manual de estudos para que vocês se sintam mais tranquilos quanto ao que estudar.
Estamos conscientes que este processo transcorrerá da melhor forma possível para que os candidatos inscritos com o melhor preparo fiquem dentro das vagas propostas.
Toda a equipe terá o maior prazer em responder quaisquer dúvidas que possam surgir no decorrer do processo.
A prova acontecerá no dia 19/11/2016, impreterivelmente às 9hrs. Acontecerá obedecendo a seguinte ordem:

1ª Prova : Redação (10,0)
2ª Prova: Será constituída uma banca multiprofissional de avaliação psicológica e comportamental em grupo (10,0)
3ª Prova: Entrevista psicológica individual (20,0)
4ª Prova: Prova de Conhecimentos Gerais e conhecimentos de Rotary) (20,0)
5ª Prova: Prova de Suficiência e ou conhecimento idiomático (Inglês) (10,0)
6ª Prova: Banca de Entrevista com rotarianos
Bom estudo,


Comissão de Seleção
YEP 2016/2019 – Distrito 4770






Globalização

A globalização é um acontecimento em escala global que consiste na composição econômica, social e política de países distintos. Esse processo é resultado das novas tecnologias que reduziram as distâncias entre os países transformando os meios de comunicação e os meios de transporte. A globalização também é resultado do capitalismo e da necessidade dos países desenvolvidos em buscar outros mercados para investimento financeiro.
Ao analisar a Globalização pode-se retirar o termo Aldeia Global que consiste em uma rede de contato e conexões que reduz as distâncias culturais e econômicas dos países. Ela surgiu entre os séculos XV e XVI após as Grandes Navegações quando o continente europeu estabeleceu contatos com outros povos. Essa prática ganhou forças com a queda do socialismo no final do século XX.
As empresas multinacionais buscaram um novo mercado com consumidores interessados e provenientes de países socialistas. Uma das principais características desse processo é a redução dos valores pagos pelos processos produtivos. Ou seja, muitas empresas produzem peças e constroem seus produtos em países com mão-de-obra muito barata e conseguem reduzir o custo final, mas pecam no quesito qualidade de vida dos funcionários.
Blocos Econômicos: Com o avanço da globalização a criação de blocos econômicos se tornou mais uma forma de estreitar a relação entre os países membros. Surgiram Nafta, Mercosul, União Europeia, Apec, Tigres Asiáticos, etc.
Uma das inovações mais importantes para o mundo global foi a internet, que reduziu drasticamente a distância e a comunicação entre os povos, estabelecendo amizades, aumentando o conhecimento sobre novas culturas e o aperfeiçoamento nos negócios e vida pessoal. A globalização também está relacionada ao crescimento e universalização dos direitos humanos dos cidadãos.
É um sistema financeiro relacionado a países desenvolvidos e subdesenvolvidos que ajuda a melhorar a qualidade de vida da população, no acesso a produtos importados e na oferta de outros mais baratos ao consumidor. No entanto, essa rapidez e eficiência acarreta muito mais vagas em aberto e desemprego. Esse fenômeno acontece porque muitas empresas investem em automatização ou instalam suas fábricas em países onde a mão de obra é muito barata. Além disso, a globalização também acarreta problemas como desigualdade social.
Com a chamada Nova Ordem Mundial os EUA dividem o podem com países europeus (Antes da Crise na Europa), China e Japão, porém o país permanece o principal no quesito armas.
Consequências da Globalização
Internacionalização do Capital
Quanto mais países estiverem envolvidos melhor será para a globalização. Ela prega a incorporação dos povos no intuito de aumentar a concentração de mercado e ajudar o capitalismo.
Empresas Transnacionais
As maiores empresas do mundo estão internacionalizadas e possuem representação nos principais países em busca de redução de recursos, mão de obra barata, infraestrutura e incentivo fiscal e novos mercados consumidores.
Divisão Trabalhista
Os países subdesenvolvidos deixaram de ser apenas aqueles que forneciam alimentos e matérias-primas. Se tornaram consumidores e exportadores de produtos feitos pelas transnacionais nos países subdesenvolvidos.
Crescimento Tecnológico
O crescimento tecnológico alavancou a automatização industrial influenciando nos processos e na produção de produtos.
Internet/Inglês
O inglês se tornou a língua oficial para comunicação no mundo e a internet é o mecanismo utilizado para comunicação com pessoas de diversos países, reduzindo as distâncias e acelerado as informações.
Etapas da Integração na Economia
Zona de Livre Comércio: é uma zona composta por países membros em que suas mercadorias possuem autorização de livre circulação. As fronteiras, o controle sanitário e a produção de produtos possuem mais facilidade. Além disso, as taxas alfandegárias não são cobradas.
União Aduaneira: os países realizam negócios entre si com taxas alfandegárias comuns e preestabelecidas.
Mercado Comum: nessa etapa está incluída a zona livre de comércio e a união aduaneira, mas também inclui a circulação livre de pessoas, capitais e serviços.
União Monetária: Além de todas as etapas anteriores auxiliando nesse mercado comum, há também a criação de uma política econômica mais consistente e a emissão de uma moeda comum a todos os países.
União Política: Fase em que os países unificam suas políticas, defesa, segurança externa e interna. Tudo isso é somado as etapas anteriores.
Brasil na Globalização
O Brasil possui uma economia que gosta do mercado internacional e não possui problemas para comercializar com outras nações. Ao participar desse mercado cada vez mais global o país proporciona o acesso de sua população a produtos estrangeiros que são favoráveis ao consumidor, mas muitas vezes desleais com a indústria nacional.
Outra vantagem da globalização é a abertura econômica ocorrida no mercado brasileiro com a introdução de diversos capitais. Além disso, no aspecto cultural, o crescimento brasileiro é bem mais vantajoso com a aquisição no mundo das artes, do cinema, televisão, rádio, etc.


Crise na Europa
O continente europeu sempre foi um exemplo de região com grande avanço econômico e que proporcionava garantias sociais e oferta de empregos aos cidadãos. Justamente por isso os países europeus atraiam milhares de imigrantes todos os anos. Entretanto eles enfrentam atualmente a sua maior crise com a Zona do Euro sofrendo sérios abalos econômicos e sociais.
A princípio a crise na Zona do Euro começou através de problemas fiscais, ou seja, muitos países gastaram mais do que conseguiram arrecadar em impostos. Dessa forma eles passaram a contrair dívidas. Muitas nações tinham uma dívida bem maior que o PIB Nacional. Muitos investidores começaram a ter medo de aplicar seu dinheiro nos países europeus e desconfiaram que eles não seriam capazes de quitar suas dívidas.
Em 2007 passou-se a desconfiar de uma bolha imobiliária nos Estados Unidos que foi confirmada em 2008 em uma crise que afetou diversos países, fechou bancos e deixou milhares de pessoas desempregadas. No início de 2010 os investidores internacionais perceberam que a Grécia estava escondendo seus déficits nacionais que chegaram a ser investigados pela Comissão Europeia. Em abril do mesmo ano as agências de classificação de risco rebaixaram a notas de Portugal, Espanha e Grécia.
Os países mais endividados na Europa são: Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda e Itália. Possuem uma relação desigual entre PIB e despesas e estão com muitos déficits orçamentários.
Consequências da Crise Europeia
Fuga dos investidores;
Redução dos créditos;
Queda de ofertas de emprego;
Redução de gastos visando reduzir a crise;
Pequeno crescimento do PIB.
Para enfrentar a crise foi implementado um plano econômico em 2011. Além disso, o FMI e o Banco Central Europeu adotaram medidas para enfrentar a crise. Foram oferecidas ajuda financeira aos países com maiores dificuldades e foi implementado um pacto fiscal (porém, ele não foi aceito pelo Reino Unido).
Os países que estão ajudando a organizar a força tarefa para reduzir os problemas financeiros da Europa são Alemanha e França. Porém essas medidas são de médio e longo prazo e milhares de europeus sofrem com a escassez de emprego e o corte de programas sociais.
A crise atingiu todos os países da Zona do Euro que viu sua moeda comum sofrer fortes quedas. Espalhou-se o receio de que a crise chegasse com a mesma força nos outros países. Em 2010 e 2011 vários países sofreram com intensos protestos e manifestações populares contra as chamadas medidas de austeridade (cortes em benefícios, redução de ofertas de emprego e aumento dos impostos).
A crise do Euro também atingiu a liderança dessas nações. Sílvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro italiano, deixou o cargo; assim como George Papandreou, da Grécia. Além disso os problemas econômicos enfrentados pelos europeus, já retiraram outros governantes do poder.
O grande reflexo dessa crise no Brasil é a redução das exportações por países que estão reduzindo drasticamente os gastos depois da crise. Ainda não é uma situação alarmante, mas pode impedir o crescimento econômico do país.

Desenvolvimento Sustentável
Durante muito tempo, meio ambiente e desenvolvimento econômico foram consideradas questões opostas. Porém, com a percepção da finitude dos recursos naturais e de que sua má utilização provocaria, além dos problemas vigentes, o comprometimento da existência de gerações futuras, a sociedade – ou parte dela, passou a conceituar uma nova forma de desenvolvimento que levava em conta o meio ambiente; pois afinal, está intimamente relacionado à saúde humana através do ar que se respira, da água necessária à vida, do solo etc.
O Planeta Terra abriga cerca de 6,6 bilhões de habitantes, com produção média de US$ 8 mil per capita. Acontece que, por volta do ano 2050, estima-se que este número atinja a marca dos 9 bilhões de pessoas com produção média de US$ 20 mil per capita. Os especialistas afirmam que, visto o desequilíbrio e a má conservação do meio ambiente, se com o avançar dos anos os países ricos, principalmente, não reduzirem consideravelmente a velocidade de consumo, um desastre ecológico será inevitável. Entretanto, acredita-se também na possibilidade de que Políticas Públicas globais possam, através da tecnologia, elevar o padrão de vida da população e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto humano sobre a diversidade biológica.
A ideia de sustentabilidade como sendo um desenvolvimento consciente capaz de suprir as necessidades da população atual, sem que as gerações futuras sejam prejudicadas, surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas. Posteriormente, a “onda verde” do desenvolvimento sustentável foi crescendo mundialmente com velocidade proporcional à necessidade do ser humano em relação à preservação do planeta. A Conferência de Estocolmo e a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento– ECO 92, representam um marco histórico no estabelecimento mundial de programas governamentais de desenvolvimento sustentável e, a partir disso, o assunto passou a ser visto não apenas como uma projeção futura, mas sim como uma atual necessidade, sendo então constituídas diversas leis para regulamentar o tema. Segundo o artigo 02º, da Lei do SNUC, o uso sustentável consiste na:
(...) exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável;
Por muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico. Este último é dependente do consumo de energia e dos recursos naturais, sendo assim insustentável, pois leva à carência de tais recursos dos quais o ser humano necessita. Portanto, o desenvolvimento sustentável sugere que: a qualidade substitua a quantidade e haja a redução do uso de matéria-prima, bem como a eliminação do desperdício com a reutilização e a reciclagem.

Rio +20
O Rio +20 é a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 no Rio de Janeiro. O evento recebeu esse nome como comemoração do aniversário de 20 anos da Rio 92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. A ideia era propor decisões para o desenvolvimento sustentável nas próximas décadas.
A conferência tinha o objetivo de estabelecer o comprometimento político com o desenvolvimento sustentável, implementar processos e avaliar resultados pertinentes ao tema.
Os principais temas são:
A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza;
A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.
Dos dias 13 a 15 de junho ocorreu a III Reunião do Comitê Preparatório com a presença de governantes para negociar os documentos usados na Conferência. Entre os dias 16 e 19 de junho foram realizados eventos com a sociedade civil.
Entre 20 e 22 de junho, foi realizado o Segmento de Alto Nível da Conferência, com a presença de diversos membros e chefes de estado de todo o mundo. Foram aproximadamente 193 estados-membros que compareceram ao local com diversos participantes de variadas áreas da sociedade civil.
Fatos Ocorridos durante a Conferência do Rio +20
O presidente Mahmoud Ahmadinejad tentou se aproximar dos Brics com um encontro com a presente Dilma Rousseff, mas a reunião não aconteceu.
O presidente Barack Obama não compareceu. Assim como Angela Merkel e David Cameron, respectivamente chanceler da Alemanha e o primeiro-ministro do Reino Unido.
O Rio de Janeiro decretou 3 dias de feriado durante o evento para evitar trânsito e muitos transtornos. No entanto, a cidade precisa se preparar, pois nos próximos anos o Rio de Janeiro irá sediar Os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.
As 59 maiores cidades do mundo acordaram a decisão de reduzir mais de 1 bilhão de toneladas das emissões de carbono até 2030.

Primavera Árabe
A revolta árabe é uma onda de protestos e revoluções desencadeadas em países do Oriente Médio e Norte da África desde 2010 após a morte de um menino tunisiano que ateou fogo em seu próprio corpo para protestar contra as condições de seu país. As revoltas, que começaram na Tunísia se espalharam para outros países e passou a ser chamada de Primavera Árabe. Durante esse período, diversos ditadores deixaram o poder. Enquanto isso, outros países ainda enfrentam ondas de protestos e violência do governo.
Os protestos na Tunísia, iniciados em dezembro de 2010, fizeram com que Zine el-Abdine Ben Ali, no poder desde 1987, fugisse para a Arábia Saudita, depois de dez dias de intensos confrontos. Os tunísios foram os primeiros na região a realizar eleições democráticas.
Após essa vitória parcial sob a ditadura imposta nesses países, a população do Egito começou a se movimentar para lutar contra sua situação. Milhares de egípcios foram as ruas para protestos e manifestações apoiando a retirada o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos. Os manifestantes iam todos os dias para a praça Tahrir (Praça da Libertação) e pediam pela saída de Mubarak que só renunciou 18 dias depois após o início das manifestações.
A Líbia foi outro país árabe a lutar pela saída de um ditador no poder. Muamar Kadafi estava há 42 anos como presidente do país. Nesse caso, o ditador demonstrou mais resistência o que causou uma verdadeira guerra civil com revoltas em todo o país. Os rebeldes foram tomando as cidades dominadas pelo ditador e a capital do país foi tomada em agosto de 2011. Meses depois o ditador foi morto na cidade de Sirte.
Outro presidente a cair com a revolta árabe foi Ali Abdullah Saleh que presidia o Iêmen. Devido a pressões populares e um atentando contra uma mesquita, Saleh renunciou o poder que ficou a cargo de seu vice-presidente. Coube a ele estabelecer uma reconciliação e um governo provisório. A Síria, outro país que tenta acabar com uma ditadura, permanece sob confrontos e sob a liderança do ditador Bashar al-Assad.
Uma grande preocupação das potências mundiais é o futuro dessas nações que agora estão livres para tomar suas próprias decisões. As dúvidas estão relacionadas principalmente a ala conservadora do Islã e a utilização da sharia, a lei islâmica. Os países que ainda não foram afetados pela Primavera Árabe estão buscando revitalizar sua maneira de governar para evitar que isso aconteça.
Um outro aspecto detectado na Revolta Árabe é a quebra de uma aliança desses governos ditatoriais com os Estados Unidos, que possui interesses econômicos nas reservas de petróleo abundantes na região. A Liga Árabe, formada por países como Arábia Saudita, tenta mediar a situação mediante os conflitos.

A História da ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) começou a existir oficialmente em 24 de outubro de 1945, ocasião em que foi assinada a "Carta das Nações Unidas" - cuja essência reside na luta pelos direitos humanos; no respeito a autodeterminação dos povos e na solidariedade internacional.
Fundada por 51 países, entre eles o Brasil, a ONU, hoje, conta com mais de 180 países membros. Apesar do prédio das Nações Unidas está em Nova York, a ONU é território internacional.
A missão da ONU é fomentar a paz entre as nações, cooperar com o desenvolvimento sustentável, monitorar o cumprimento dos Direitos Humanos e das liberdades fundamentais e organizar reuniões e conferências em prol desses objetivos. O sistema ONU é complexo. Conta com Organismos especializados, Programas, Fundos etc. A Assembleia Geral é o órgão principal da ONU e tem caráter deliberativo, nela estão representados todos os países membros, cada um com direito a um voto. O dia das Nações Unidas se celebra no 24 de outubro.
A ONU, é ainda hoje o principal organismo internacional e visa essencialmente: Preservar a paz e a segurança mundial; estimular a cooperação internacional na área econômica, social, cultural e humanitária; promover a respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos. Os seis principais órgãos da ONU são: a. Conselho de Segurança b. Assembleia Geral c. Conselho de Tutela d. Secretariado
DA ONU também fazem parte importantes órgãos especializados como a UNESCO
(Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), a FAO (Organização para Agricultura e Alimentação), o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a OMS (Organização Mundial da Saúde), entre outros.
É importante notar que o Conselho de Segurança da ONU nem sempre cumpriu seu objetivo. Em 1963, por exemplo, não conseguiu evitar que os Estados Unidos interviessem na Guerra do Vietnã.
E isso se explica pelo direito de veto que os membros permanentes possuem. Fazendo uso desse direito, os norte-americanos simplesmente vetaram as propostas contrárias à sua participação na guerra. Veja o texto a seguir:
A ONU: MEIO SÉCULO BUSCANDO A PAZ I - Aniversário conturbado Cerca de 180 presidentes e chefes de governo, além de suas comitivas, tumultuaram o centro de Nova York entre os dias 21 e 25 de outubro de 1995. Nunca, na história da cidade, se reuniram nela tantos dignitários de todo o mundo, fato que só poderá se repetir em 2045, caso a aniversariante ainda esteja viva. A razão de tão inusitada afluência foi a comemoração do cinquentenário da organização das Nações Unidas (ONU), ocorrida a 24 de outubro, o chamado Dia das Nações Unidas. O evento foi marcado por muitos pronunciamentos, encontros insólitos, reuniões e banquetes.
Provocou manifestações favoráveis e contrárias à Organização, reabrindo velhas discussões que a acompanham desde a criação e alinhando novos argumentos no sentido de preservá-la, reformulá-la e até mesmo extingui-la. Para coroar esse ambiente caótico, o cinquentenário aconteceu num momento em que ela passa por grave crise econômica, devida, principalmente, à inadimplência de muitos de seus membros, que não resgatam as cotas que lhes cabem, a tal ponto que se viu compelida a lançar mão das próprias reservas para custear as despesas da festa. Nascida sobre os escombros da Sociedade das Nações (SDN), num mundo ainda chocado com a mais sangrenta guerra da História, a ONU é hoje uma entidade com ramificações nos quatro continentes e influência em todos os setores vitais do planeta.
Mantém inúmeros serviços, agências, escritórios, missões e programas, além de grande quantidade de funcionários, tudo sustentado a um custo global assombroso, criticado com frequência pelo seu vulto. Não obstante, no que se refere ao seu objetivo mais importante - a busca da paz e da segurança mundiais - a Organização é, em geral, apontada como um completo fracasso. Em livro recente, fundamentado em abundantes ocorrências vividas pelo mundo ao longo da história da ONU, o especialista francês Maurice Bertrand dissecou a atuação da entidade nos vários campos de sua ação, examinando caso a caso as situações de guerra, inclusive confrontos intra-estatais, ou enfrentamento em que interferiu, concluindo que ela, lamentavelmente, colheu mais derrotas que vitórias.
Nos outros campos, também importantes, mas não precípuos, os resultados têm sido bem mais animadores. Essas conclusões resultam de uma análise serena e objetiva, isenta de engajamentos ideológicos ou filosóficos. Mesmo nos casos bem-sucedidos, na busca da paz, viu-se a ONU, muitas vezes, marginalizada, desenvolvendo-se as negociações fora de seu contexto, graças à interferência de mediadores, políticos, chefes de governos, diplomatas, conversações diretas entre as partes, etc.
I - Sucessos e fracassos O autor mencionado, cujo livro vou rastreando em vários pontos, não se limita a apontar os insucessos. Vai a fundo nas investigações e procura descobrir as causas dessa atuação para que possam, eventualmente, ser afastadas e a ONU cumpra a risco suas finalidades. Assim, como o primeiro e mais grave dos entraves, estaria a ausência de sinceridade nos propósitos pacifistas de muitos de seus integrantes, em especial as grandes potências. Tal como na política interna, a palavra se distancia da ação e o discurso também.
O engajamento sincero e decidido de todos os membros da entidade solucionaria, com certeza, se não todos, pelo menos a quase totalidade dos casos de rompimento da paz. Até hoje, no entanto, essa hipótese permaneceu no terreno da utopia.
A segunda causa, também grave, residiria no esvaziamento da ONU no campo da economia, entregando-o a órgãos que, embora ligados a ela, não lhe são subordinados (FMI, OMC, OCDE, Banco Mundial, etc.). Tais agências e programas são independentes e seus diretores apenas prestam contas ao respectivo conselho de administração.
Essa separação entre o econômico e o político-social, só possível em teoria, dificulta sobremaneira as ações, uma vez que na realidade prática a divisão inexiste e os problemas se entrelaçam. Por isso, como adverte Bertrand, as ações da ONU só prosperam, nesse terreno, quando o problema afeta algum país rico, como nos casos que envolvem drogas, meio ambiente, prostituição, violação dos direitos humanos de seus cidadãos, etc. Afora isso, a regra é a indiferença dos ricos, incluindo a de sua opinião pública, pelo que ocorre com os pobres.
Isso se agravou com a queda da URSS e o consequente ingresso de novos países no mercado mundial. Em terceiro lugar, o entrave está no chamado direito de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (art. 27, § 3°, da Carta das Nações Unidas). Seu exercício virtualmente impede a interferência da Organização, transformando-a em mera espectadora marginal dos acontecimentos. Nada pode fazer. Esse direito tem sido usado com frequência pelos seus titulares, ao longo da existência da ONU, e com maior intensidade no período da chamada Guerra Fria (1945-1985).
Sempre que a questão ameaçava acarretar a interferência da entidade num dos blocos mundiais, o veto caía como uma liminar paralisante do processo. Já nos anos 50, nos primórdios das Nações Unidas, Hildebrando Accioly, jurista brasileiro reputado na área do Direito Internacional, proclamava que o poder de veto "paralisava o Conselho de Segurança" e constituía "uma das fraquezas da ONU." Por último, mas não menos importante, estaria a complexidade e magnitude de sua estrutura mundial, não faltando as críticas à incompetência do funcionalismo, seu espírito burocratizante, e o elevado custo de manutenção da entidade. Uma estrutura de tão vastas proporções e com tantos serviços teria, por força, que ser complexa, embora possa ser melhorada e enxugada em vários pontos.
Se examinarmos, por exemplo, o organograma do Poder Judiciário brasileiro, encontraremos uma estrutura das mais complexas, embora destinada a um só país e com a atribuição única de ditar a justiça. Que dizer, então, de uma entidade mundial, com atribuições jurídicas, políticas, sociais e econômicas, como é o caso da ONU. As críticas à burocracia e ao funcionalismo não passam de retórica. É sabido que os servidores da Organização são arregimentados em muitos países, levando consigo as virtudes e os defeitos da origem, constituindo um corpo funcional heterogêneo.
A formação de um funcionalismo próprio, profissional e de carreira, com esmerado preparo técnico, imune à interferência de sua pátria, seria a solução sempre indicada, mas jamais posta em execução. Quanto ao custo de manutenção da ONU, é outra figura de retórica. Na verdade, a contribuição dos seus associados é diminuta em proporção aos respectivos orçamentos e notoriamente insuficiente para a realização dos ambiciosos programas que lhe cabem. O pagamento correto não faria mais ricos ou mais pobres esses países.
Esses são, além de outros, os obstáculos à plena consecução dos objetivos da ONU.
Superá-los é obra difícil, dependente de muito esforço e do gênio diplomático de homens e mulheres vocacionados. Mas é possível e necessário que o mundo um dia possa respirar em verdadeira paz. I - Reformar ou recriar
Segundo ela, os princípios estabelecidos na Carta das Nações Unidas, aprovada em 1945, constituem o máximo que se pode, com realismo, esperar de um consenso de nações. Subtraí-los, ainda que com objetivos mais amplos e de curto prazo, poderia implicar um verdadeiro caos, ainda mais se considerarmos as profundas alterações que vêm ocorrendo no mapa mundial, onde acontecem discordâncias e confrontos de todos os tipos, muitos deles surpreendentes até mesmo para os experts.
Basta lembrar que a queda da URSS, com todas suas múltiplas implicações, não foi prevista nem mesmo pelos chamados futurólogos da moda, como mostrei em ensaio recente. Essa corrente prima pela prudência e para ela os ideais expressos na Carta devem ser apregoados até que se tornem universais, mas tudo dentro da estrutura da própria ONU. Só um evento de proporções mundiais, capaz de sacudir o planeta, poderia talvez ensejar a oportunidade para a criação de um novo organismo internacional para substituir a ONU.
Mostra a História, afirmam, que só em momentos de grande comoção ou temor os países, assim como as pessoas, se unem. Isso, porém, é pouco provável após o fim da Guerra Fria, além de indesejável. Essa parece ser a corrente majoritária.
A corrente minoritária, bem mais recente, também designada como de terceira geração ou constitucionalista, tem em Maurice Bertrand um dos grandes defensores. Para ela, os argumentos dos reformistas são frágeis lugares-comuns decorrentes do irrealismo em que vive a ONU.
Nada, na verdade, pode garantir que ela não possa ser substituída com êxito por um organismo mais poderoso, moderno e ágil. As atuais organizações mundiais, dizem, foram construídas sobre ideias falsas ou arcaicas que as afastam da realidade, prejudicando sua atuação. Além disso, os progressos feitos fora da ONU, nos terrenos da paz e da segurança, indicam novos caminhos e a possibilidade de integrá-los num novo plano mundial.
Com base nessas ideias, várias propostas têm sido feitas com o objetivo de recriar uma entidade independente e apta para enfrentar o grave desafio até hoje inalcançado da paz mundial e permanente. Ponto interessante nessa corrente é a proibição de governos de fato, sem legitimidade obtida através de eleições livres e democráticas, representarem seus países na Organização. Esses governos, na verdade, não representam o povo e não raro prejudicam seus interesses e do próprio país.
IV - O futuro Apesar desses tropeços, isso não significa que a ONU seja inútil ou dispensável. Ela representa, antes de mais nada, a consagração do princípio de que o mundo civilizado rejeita o apelo à força bruta para solucionar suas pendências e acredita que a paz possa ser alcançada. As providências que tomou ao longo de sua existência, em variados campos de atuação, "conseguiram levar ao reconhecimento de que os povos civilizados já não têm mais necessidade de recorrer à guerra para resolver suas divergências de interesses", como escreveu o citado ensaísta.
Assim como há indivíduos que descumprem os compromissos assumidos, por dolo ou qualquer outra causa, também isso tem ocorrido entre as nações. Mas não será por essa razão que se rasgarão os Códigos, retomando a lei da selva. Os defeitos dos países são os de seus integrantes. Afirmou alguém, com inteira procedência, que bastaria à ONU ter evitado uma só guerra para justificar sua existência.
Mas ela, na verdade, tem conquistado muitíssimo mais que isso, evitando conflitos armados, internos e externos, pondo fim a inúmeros outros, obtendo tréguas e armistícios, retiradas de tropas e cessar-fogo, enviando seus batalhões de "boinas azuis" para pacificar e proteger, defender os direitos humanos e as minorias, observar a lisura de pleitos e assim por diante. Sua ação no processo mundial de descolonização tem sido ampla e profícua.

Cidadania: Lei Maria da Penha completa 10 anos
Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340), sancionada em 7 de agosto de 2006, completa dez anos de vigência. Ela foi criada para combater a violência doméstica e familiar, garante punição com maior rigor dos agressores e cria mecanismos para prevenir a violência e proteger a mulher agredida.
De acordo com a legislação, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.
Hoje essa lei é a principal ferramenta legislativa na questão da violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. Ela também é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três mais avançadas do mundo nessa questão.
Com a Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher torna-se visível e deixa de ser interpretada como um problema individual da mulher e passa a ser reconhecida como problema social e do Estado, que deve prever assistência, prevenção e punição para esses casos.
“Em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Esse ditado popular revela muito sobre como o país tratou a violência doméstica e contra a mulher. Isso porque durante séculos, esse tipo de agressão nem sempre foi considerada uma violência pela sociedade brasileira. Essa frase naturaliza um ato abusivo, como algo sem importância e de interesse particular, uma situação que não precisa de ajuda ou “não é problema meu”.
A cada ano, mais de um milhão de mulheres são vítimas de violência doméstica no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outros dados mostram a gravidade da questão: a cada cinco minutos uma mulher é agredida no Brasil e uma em cada cinco mulheres já sofreu algum tipo de violência de um homem (conhecido ou não) e o parceiro é responsável por 80% dos casos reportados. Os dados são de uma pesquisa de 2010 da Fundação Perseu Abramo.
Apesar da gravidade do problema, a previsão de uma lei específica no Brasil que trata da violência contra as mulheres, em especial nas relações domésticas familiares e afetivas, é algo recente e só ocorreu com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340), sancionada em 7 de agosto de 2006, e que completa dez anos de vigência.
A lei recebeu o nome em homenagem à farmacêutica Maria da Penha Fernandes. Em 1982, ela sofreu duas tentativas de assassinato por parte do então marido. Na primeira, depois de um tiro nas costas, ficou paralítica. Ela enfrentou luta judicial de quase 20 anos para vê-lo punido. Em 1998, em razão da morosidade no julgamento do ex-marido, Maria da Penha denunciou seu caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos denunciando a tolerância do Estado brasileiro com a violência doméstica, com fundamento na Convenção Belém do Pará e outros documentos de direitos humanos no sistema de proteção da Organização dos Estados Americanos. Graças à sua iniciativa, o Brasil foi condenado pela Corte, que recomendou ao país a criação de lei para prevenir e punir a violência doméstica.
Em 2006, o Congresso Nacional aprovou a Lei Maria da Penha (Lei 11.340), que foi o ponto de partida jurídico para enfrentar a violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil e hoje é considerada como o principal dispositivo legal nessa questão. Ela também é considerada pela ONU como uma das três mais avançadas do mundo no tema, atrás apenas das leis da Espanha e do Chile.
Além de inovadora, a lei teve grande repercussão social e hoje é considerada como uma das leis mais conhecidas pelos brasileiros. Segundo a pesquisa Violência e Assassinatos de Mulheres (Data Popular/Instituto Patrícia Galvão, 2013) 98% da população conhece a legislação. Para 86% dos entrevistados, as mulheres passaram a denunciar mais os casos de violência.
O que diz a lei
Desde 1988 a Constituição brasileira já trazia o princípio da igualdade entre homens e mulheres, em todos os campos da vida social. O artigo 226 diz que “o Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações”.
A inserção desse artigo atribui ao Estado a obrigação de intervir nas relações familiares para coibir a violência, bem como de prestar assistência às pessoas envolvidas. No entanto, os casos de violência contra a mulher eram considerados de menor potencial ofensivo e a punição dependia muito da interpretação do juiz.
Até 2006, havia um massivo arquivamento de processos de violência doméstica. Eram comuns casos em que agressões físicas foram punidas apenas com o pagamento de cestas básicas. Ou ainda, situações fatais, em que o agressor mata a mulher e tem sua responsabilidade diminuída: a mulher cometeu adultério e o marido acaba sendo absolvido na Justiça por estar defendendo a sua honra ou o assassino que cometeu “um homicídio passional” por ciúmes.
Nesse contexto, muitas brasileiras não denunciavam as agressões porque sabiam que seriam ignoradas pelas autoridades e os companheiros não seriam punidos. Outros fatores também contribuem para que a mulher não consiga sair da relação com o agressor: ela é ameaçada e tem medo de apanhar de novo ou morrer se terminar a relação, ela depende financeiramente do companheiro, tem vergonha do que a família e amigos vão achar, acredita que o agressor vai mudar e que não voltará a agredir ou pensa que a violência faz parte de qualquer relacionamento.
A Lei Maria da Penha foi amparada no artigo 226 e em acordos internacionais, altera o Código Penal e aumenta o rigor nas punições para agressões de pessoas próximas. A lei tirou da invisibilidade e inovou ao tratar a violência doméstica e de gênero como uma violação de direitos humanos.
A Lei 11.340 configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Entre as inovações, está a velocidade no atendimento aos casos. Depois que a mulher apresenta queixa na delegacia de polícia ou à Justiça, o juiz tem o prazo de até 48 horas para analisar a concessão de proteção. Além disso, a Lei Maria da Penha ampara a mulher dentro e fora de casa. Também considera a agressão psicológica e patrimonial como violência doméstica e familiar contra a mulher, ou seja, abrange abusos que não deixam marcas no corpo.
A aplicação da lei Maria da Penha contempla ainda agressões de quaisquer outras formas, do irmão contra a irmã (família); genro e sogra (família, por afinidade); a violência entre irmãs ou filhas (os) e contra a mãe (família). Além disso, garante o mesmo atendimento para mulheres que estejam em relacionamento com outras mulheres. Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo garantiu a aplicação da lei para transexuais que se identificam como mulheres em sua identidade de gênero.
Medidas protetivas
A Lei Maria da Penha criou dois tipos de medidas protetivas: à ofendida (mulher em situação de violência) e medidas obrigatórias ao agressor (autor da violência), de acordo com o risco que a mulher corre.
As medidas protetivas buscam oferecer um atendimento integral e qualificado às mulheres, a partir do contexto da violência, como encaminhar a ofendida e seus dependentes a um programa de proteção ou de atendimento, determinar o afastamento da ofendida do lar e a separação de corpos.
Em relação ao autor da violência, a lei prevê que ele não pode cumprir penas alternativas ou ser punido com multas, e pode ser enquadrado na suspensão da posse ou restrição do porte de armas, na prisão preventiva do suspeito, no afastamento do lar ou local de convivência com a ofendida, na proibição de contato com a ofendida e no pagamento de pensão alimentícia à família.
Serviços públicos de apoio
Com a vigência da lei, o governo teve que investir na criação de serviços públicos de apoio à mulher e o problema passou a existir “oficialmente” na esfera pública. Foram fortalecidas as Delegacias de Atendimento à Mulher, criados novos juizados especializados de violência doméstica e familiar contra a mulher, além de amparar serviços de assistência, como a Casa da Mulher Brasileira e a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180.
A violência contra a mulher torna-se visível e deixa de ser interpretada como um problema individual da agredida e passa a ser reconhecida como problema social e do Estado, que deve prever assistência, prevenção e punição para esses casos.
Apesar de significar um marco na questão da violência doméstica, ainda falta muito para que a violência contra a mulher terminar. A Lei Maria da Penha precisa ser implementada nos Estados de forma eficiente. Além disso, é preciso mudar a cultura de violência e o machismo da sociedade brasileira. Uma questão que demanda educação, trabalho e tempo.
A Lei do Feminicídio
A Lei Maria da Penha também está salvando vidas. Em 2015, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou um estudo que estimou o impacto da lei nas taxas de homicídios de mulheres. Segundo a pesquisa, a lei contribuiu para reduzir, em 10%, o número de feminicídios no Brasil. O termo “feminicídio” é usado para designar o assassinato de uma mulher pelo simples fato de esta ser mulher.
A Lei Maria da Penha também abriu caminho para que fosse criada a Lei do Feminicídio (Lei 13.104). Sancionada em 2015, a lei classifica o homicídio qualificado como crime hediondo, o que aumenta a pena para o autor. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking global de homicídios de mulheres.
Brexit: Reino Unido decide deixar a União Europeia
2Por Carolina Cunha
1. Plebiscito do Reino Unido votou por saída da União Europeia e a decisão histórica foi chamada de Brexit.
2. Políticos britânicos que apoiam a saída consideram que o Reino Unido deve criar restrições a imigrantes e de exercer uma política econômica independente da União Europeia.
3. A grave recessão econômica e o aumento do número de refugiados reacendeu o sentimento anti-imigração, a xenofobia e o medo de que os estrangeiros passem a competir no mercado de trabalho com o cidadão britânico.
4. A decisão do Reino Unido pode balançar o futuro da União Europeia e estimular outros países-membros a sair do bloco.
Em junho, um plebiscito foi realizado por todo o Reino Unido, perguntando se a população queria continuar ou sair da União Europeia (UE). A votação foi apertada e apontou que 52% dos britânicos apoiam a saída do bloco comum. A decisão gerou grande repercussão.
Após a inesperada vitória do “sim”, o primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou que vai renunciar, por não concordar com o resultado. "Um novo primeiro-ministro precisa liderar as negociações sobre a saída da Grã-Bretanha da UE", disse ele.
O Reino Unido é formado pela Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia. A União Europeia foi criada oficialmente em 1992 e se tornou o maior bloco econômico do mundo, com 28 países da Europa. Suas origens remontam à Comunidade Econômica Europeia (CEE), criada em 1957. O Reino Unido aderiu à CEE em 1973.
A União Europeia representa hoje um processo bastante avançado de integração econômica, garantindo a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais. Além disso, diversos membros adotaram uma moeda comum, o Euro, e uma plataforma política e de valores democráticos, com o funcionamento de um Parlamento Europeu que possui responsabilidades legislativas, orçamentais e de supervisão.
Desde que foi criada, nenhum país-membro deixou a União Europeia e a decisão do Reino Unido é inédita. O rompimento histórico dos britânicos com a UE está sendo chamado de “Brexit”, expressão que mistura as palavras “Britain” (“Bretanha”) e “exit” (“saída”). A palavra foi usada inicialmente para identificar o movimento de quem estava a favor da saída.
A campanha pelo Brexit foi liderada por vários políticos conservadores. Alguns políticos de esquerda também apoiam a saída e criticam as políticas de austeridade fiscal e liberalismo econômico promovidas pelo bloco.
Um dos principais articuladores do movimento foi o partido nacionalista UKIP. Horas antes do resultado das urnas, o então líder do UKIP, Nigel Farage, desejou que o resultado do referendo "leve à destruição deste projeto falhado [a UE] e permita criar uma Europa de nações soberanas com relações comerciais".
Ao longo da campanha, Farage e outros políticos atiçaram o eleitorado com uma propaganda que foi acusada de exagerar os riscos trazidos pela imigração e de apelar para a identidade nacional. O argumento central era de que o Reino Unido não poderia controlar o número de pessoas entrando no país enquanto continuasse no bloco.
Esses políticos favoráveis ao Brexit consideram que o Reino Unido deve exercer a soberania nacional e ditar suas próprias regras. Entre as reivindicações, o desejo de criar restrições a imigrantes e de exercer uma política econômica independente (que não dependa das decisões da União Europeia).
O que muda com a saída do Reino Unido?
O futuro ainda é incerto. A saída do Reino Unido da UE ainda não tem data definida para acontecer e o processo de afastamento deve ser feito gradualmente em até dois anos. Para sair do bloco, o Reino Unido deve informar formalmente a sua intenção e protocolar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regula o desligamento de membros do bloco. As negociações da saída serão conduzidas por outro premiê que ainda será eleito.
O mercado único, sem impostos nem tarifas comerciais, é o grande motor das relações comerciais na Europa. No processo de saída, o Reino Unido deixará de fazer parte dos tratados que a UE celebra e pode levar alguns anos para alterar todas as leis e acordos de cooperação entre os membros do bloco e negociar novas relações comerciais com os vizinhos.
O mercado financeiro avaliou a decisão dos britânicos como extremamente negativa. Analistas indicam que a economia britânica poderá sofrer perdas significativas de investimentos e benefícios comerciais. Especialistas do FMI (Fundo Monetário Internacional) se pronunciaram afirmando que o desemprego aumentaria e o valor da libra esterlina (moeda britânica) cairia.
Risco de contágio
O maior temor é que outros países da União Europeia possam optar pelo mesmo caminho do Reino Unido. “O resultado do referendo é um divisor de água para o projeto europeu”, disse a chanceler alemã Angela Merkel. Por outro lado, alguns analistas acreditam que o Brexit servirá de estímulo para mudanças no funcionamento da União Europeia e que pode impulsionar uma reforma da política de imigração.
O fato é que muitos europeus estão descontentes com o bloco. Uma recente pesquisa conduzida pelo Instituto Ipsos Mori, revelou que 45% dos europeus entrevistados acreditam que seu país deve convocar um referendo de igual teor ao realizado pelo Reino Unido. Entre os italianos, 58% da população quer um referendo e 48% votaria pela saída, caso essa consulta acontecesse. Já entre os franceses, 55% deseja esse referendo e 41% também votaria em deixar o bloco.
Um dos mais fortes candidatos a sair da União Europeia é a Grécia, que enfrenta uma grave crise econômica. Recentemente a União Europeia interveio no país e concedeu novos empréstimos sob a condição de que o país impusesse várias medidas de austeridade, o que acabou piorando a situação.
Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego e líder do partido Syriza, ponderou que a decisão britânica reflete "as escolhas extremas de austeridade que aprofundaram a desigualdade entre países do Norte e do Sul, as cercas e as fronteiras fechadas e a recusa em dividir o fardo das crises financeiras e de refugiados".
Mas nem todos os membros do Reino Unido concordam com o resultado do plebiscito. A Escócia, por exemplo, protestou oficialmente contra a saída da UE. Após o plebiscito, Nicola Sturgeon, primeira-ministra escocesa, disse que “um novo referendo de independência na Escócia é muito provável” e que considera “democraticamente inaceitável” que os escoceses, que votaram em sua maioria pela permanência no bloco, sejam excluídos da UE.
Imigração, refugiados e xenofobia
O tema da imigração é um dos principais focos de tensão na Europa. Um dos motivos é que a União Europeia adota o princípio da livre circulação entre os Estados-Membros. Na prática, as fronteiras internas dos países são abertas aos cidadãos da UE, que só precisam apresentar o bilhete de identidade ou o passaporte para entrar no chamado Espaço Schengen (países signatários do Acordo de Schengen). Cerca de 3 milhões de cidadãos da UE vivem no Reino Unido, que é a nona com a maior proporção de imigrantes do bloco no universo da população total.
Recentemente, guerras e conflitos no Oriente Médio e na África levaram milhões de refugiados a fugir da crise humanitária e buscar as fronteiras da Europa. A Síria, por exemplo, que vive uma guerra civil desde 2011, já gerou o deslocamento de mais de 4 milhões de pessoas para os países vizinhos. O destino final de preferência são os países europeus. A Alemanha espera a chegada de cerca de 800 mil refugiados neste ano.
Refugiados e imigrantes são categorias diferentes de estrangeiros. O refugiado vai para outro país por uma questão de sobrevivência, em razão de perseguição política ou conflitos. Já o imigrante busca emprego, estudo e melhores condições de vida.
Além do intenso fluxo de refugiados, a ameaça terrorista, que aumentou após os ataques em Paris, levanta a suspeita de que terroristas e grupos radicais entrem no espaço da UE e se desloquem com facilidade.
Essa onda migratória de refugiados e o medo da violência eleva a pressão sob as fronteiras da UE e reacende o preconceito contra estrangeiros. Em grego, “xénos” significa estrangeiro. “phobos”, “fobia”, ou seja, medo. É da junção dessas duas palavras que surgiu o termo xenofobia: medo ou aversão ao estrangeiro.
No Reino Unido, após o resultado do plebiscito, ataques xenófobos aconteceram contra estrangeiros nas redes sociais e em diversas regiões. Uma das comunidades mais atingidas foi a de imigrantes poloneses. Na sede da associação da comunidade polaca, cartões com a frase "Deixem a União Europeia, não queremos mais insetos polacos" foram distribuídos pelas caixas do correio das famílias polacas e entregues nas imediações de escolas no condado de Cambridgeshire. Atualmente 850 mil poloneses vivem no Reino Unido.
A xenofobia se agravou no Reino Unido a partir de 2008, com a crise financeira que levou o governo a adotar medidas de austeridade fiscal. A grave recessão econômica reacendeu o sentimento anti-imigração e o medo de que os estrangeiros passem a competir no mercado de trabalho e a disputar benefícios sociais com o cidadão britânico. Por outro lado, diversos estudos mostram que os imigrantes europeus contribuem para a economia britânica e para o dinamismo do mercado de trabalho, em um continente que envelhece cada vez mais e que terá dificuldades no equilíbrio da Previdência Social.
O sentimento de xenofobia dos europeus deve se agravar nos próximos anos. A Hungria, que tem o partido político de extrema-direita Jobbik, levantou um muro na fronteira com a Sérvia. Na França, cresce a influência do Frente Nacional, partido político de extrema-direita comandado por Marine Le Pen e que tem como um dos pilares principais a contenção da imigração para a Europa, e uma agenda anti-UE.























CONHECIMENTOS DE ROTARY
HISTÓRIA DO ROTARY INTERNATIONAL

The first four Rotarians (from left): Gustavus Loehr, Silvester Schiele, Hiram Shorey, and Paul P. Harris, 1905-12.
Paul P. Harris, um advogado, queria criar um grupo profissional com o mesmo espírito de amizade que caracterizava as cidades pequenas de sua juventude. Em 23 de fevereiro de 1905, ele se reuniu com Gustavus Loehr, Silvester Schiele e Hiram Shorey no escritório de Loehr, em Chicago, para o que ficaria conhecido como a primeira reunião de Rotary Club. O nome "Rotary" surgiu devido ao sistema inicial de rodízio do local das reuniões.
Dentro de cinco anos, clubes foram fundados em diversas cidades dos EUA, como São Francisco e Nova York.
Em agosto de 1910, os rotarianos realizaram sua primeira Convenção, em Chicago, e os 16 clubes que existiam na época formaram a Associação Nacional de Rotary Clubs.
Em 1912, o nome foi alterado para Associação Internacional de Rotary Clubs para melhor refletir a existência de clubes em outros países. O nome Rotary International foi adotado em 1922.
Em julho de 1925, havia mais de 2.000 clubes e cerca de 108.000 associados em seis continentes.
A reputação do Rotary atraiu presidentes, primeiros ministros e muitas outras pessoas ilustres, como o autor Thomas Mann, o diplomata Carlos Romulo e o compositor Jean Sibelius.
Com o crescimento do Rotary, os associados passaram a usar seus recursos e talentos para ajudar suas comunidades. A dedicação a este ideal é melhor expressada pelo lema "Dar de Si Antes de Pensar em Si".
A PROVA QUÁDRUPLA

Em 1932, o rotariano Herbert Taylor criou a Prova Quádrupla, que foi traduzida em mais de100 idiomas e serve de guia para os rotarianos:
Do que nós pensamos, dizemos ou fazemos
É a VERDADE?
É JUSTO para todos os interessados?
Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES?
Será BENÉFICO para todos os interessados?

O CRESCIMENTO INTENCIONAL DO ROTARY
Durante o ano rotário de 1911/12, a Associação tornou-se internacional devido ao estabelecimento de um Rotary Club em Winnipeg, Manitoba, no Canadá. Pouco depois o Rotary cruzava o Oceano Atlântico para estabelecer clubes na Inglaterra, Irlanda e Irlanda do Norte. A Associação Nacional de Rotary Clubs tornou-se assim a Associação Internacional de Rotary Clubs em 1912, para em 1922 adotar o nome de Rotary International (RI). Antes de chegar a seu vigésimo aniversário, o Rotary já contava com quase 200 clubes, e mais de 20.000 sócios ao redor do mundo:
O primeiro Rotary Club na América Latina foi organizado em Havana, Cuba, em 1915.
O primeiro clube da Ásia foi estabelecido em Manila, nas Filipinas, em 1919.
Em 1921, pela primeira vez foram organizados Rotary Clubs na Europa continental (Madri, Espanha), África (Johannesburgo, África do Sul) e Austrália (Melbourne).
Trabalhando pela paz.
Ao passo que o Rotary crescia, aumentava também o alcance de suas atividades. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Rotary descobriu novas maneiras de servir, ou seja, por meio de arrecadações para Trabalhos de assistência e auxílio em situações de emergência. Em 1917 o então presidente do RI Arch Klumph propôs o estabelecimento de um fundo de dotações, que em 1928 tornou-se a Fundação Rotária. A Fundação fez sua primeira doação humanitária(US$500) em 1930 à International Society for Crippled Children.
Após a Segunda Guerra Mundial, muitos clubes que haviam sido desativados durante o conflito foram restabelecidos e deram início a novos projetos de prestação de serviços, que incluíam auxílio a refugiados e prisioneiros de guerra.
A delegação do Rotary International, composta de quarenta e nove rotarianos, foi a maior entre todas as Organizações não-governamentais na conferência de Fundação das Nações Unidas, realizada em 1945 em São Francisco. Uma conferência patrocinada pelo Rotary em Londres, em 1943, serviu como inspiração para a Criação da Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), estabelecida pela ONU em 1946.
A Fundação Rotária experimentou crescimento modesto até 1947, quando rotarianos fizeram doações Significativas em memória de Paul Harris, falecido em janeiro de 1947. No mesmo ano, a Fundação Inaugurava seu primeiro programa de bolsas de estudos, enviando 18 estudantes a 7 países diferentes.
Atualmente, mais de 1.200 estudantes viajam ao exterior como bolsistas do Rotary a cada ano.
Dois dos programas do Rotary para jovens, o Rotaract e o Interact, foram criados durante a turbulenta década dos anos 60, Interact Clubs (para jovens de 14 a 18 anos de idade) e Rotaract Clubs (para pessoas de 18 a 30 anos). Funcionam sob a supervisão e liderança de seus Rotary Clubs patrocinadores e dão aos jovens a oportunidade de prestar serviços à comunidade além de desenvolver sua capacidade de liderança e promover paz e compreensão mundial. Prestar serviços aos jovens continua a ser uma importante ênfase do Rotary.
O Rotary hoje
O empreendimento mais ambicioso do Rotary, anunciado em 1985, é o programa Pólio Plus uma abrangente campanha cujo objetivo é a erradicação da pólio até o anos 2000. Conduzida com a cooperação de governos nacionais e agências não-governamentais como a Organização Mundial da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Pólio é um paradigma de cooperação dos setores públicos e privado na luta contra uma doença. O Pólio Plus ajuda programas de erradicação da poliomielite a níveis regional e nacional, oferecendo vacinas, vigilância e mobilização social. Até o ano 2005 – data em que o mundo esteja livre da poliomielite – as contribuições de rotarianos à erradiação mundial da pólio terão chegado perto de US$425 milhões.
A partir de sua admissão ao Rotary em 1987, as mulheres são o grupo de crescimento mais rápido do Rotary, gradualmente ocupando posições de liderança na organização. Mais de 1.900 mulheres são presidentes de clube e esse grupo está rapidamente assumido posições de liderança regional. Hoje em dia, aproximadamente 1,2 milhões de homens e mulheres em suas profissões, participam de mais de 29.000 clubes ao redor do mundo.
O Rotary continua a crescer internacionalmente. Após o colapso da Cortina de Ferro, Rotary Clubs que haviam sido desativado durante a Segunda Guerra Mundial foram restabelecidos na Europa Central e Ocidental. Em 1990, pela primeira vez foram formados Rotary Clubs na Rússia e em seguida em outras antigas repúblicas soviéticas. A Armênia, antigamente parte da União Soviética, é uma opção recente ao mundo rotário com o estabelecimento do Rotary Club de Yerevan em 1996.
Embora os primeiros passos para a introdução de Rotary no Brasil tivessem sido dados em 1916, somente em 1922 (dezembro) é que se conseguiu a adesão de dezesseis profissionais, de classificações diferentes, dispostos a integrar o Rotary Club do Rio de Janeiro, que conseguiu a aprovação de Rotary International.
Em 1920 houve a primeira tentativa que o Rotary International recusou em virtude de o quadro social estar integrado exclusivamente por cidadãos americanos aqui residentes. A ética da historiografia exige que os fatos relatados e as afirmações do narrador estejam amparados em provas documentais, mas, da minha parte, não consigo sopitar a formação analítica do meu espírito, pela necessidade que sinto de penetrar nas causas favorecedoras, modificadoras ou impeditivas dos acontecimentos.
Assim, tomo de mim mesmo, vênia para concluir, pelos vai-vens do processo formador e pelas personagens que o lideraram, que a demora havida na formação do Rotary Club do Rio de Janeiro, foi devida, de um lado, ao radicalismo nacionalista imperante entre os brasileiros, na época, e, de outro lado, à exagerada tendência de os americanos residentes permanecerem agrupados e isolados e, no particular, amparados na afirmação de que "o espírito de Rotary não seria aceito pelos latinos", emitida por dois delegados do Rotary International que haviam fracassado na fundação do Rotary Club de Havana, anos antes.
Herbert Coates, embaixador dos Estados Unidos em Montevidéu, Uruguai, e Recorde Monnsen, seu colega no Rio de Janeiro, trouxeram, em 1916, de Chicago, a atribuição de fundarem Rotary Clubs nas sedes das suas embaixadas. Coates o conseguiu, em 1918 e, em 1922, veio ao Rio de Janeiro como representante do Rotary International e, apoiado por alguns integrantes das duas tentativas anteriormente malogradas, conseguiu fundar o Rotary Club do Rio de Janeiro, sob a presidência de João Thomé Saboya e Silva, filiado em Rotary International a 28 de fevereiro de 1923.
Somente Herbert Moses, dentre os anteriormente interessados, participou entre os fundadores e Recorde Monnsen, responsável pela fundação em 1916, só ingressou no clube em novembro de 1923.
O Club cresceu rapidamente, pois em 1924 já se compunha de 45 sócios. O Brasil foi, assim, o quarto país da América do Sul e o sexto da Ibero-América a sediar Rotary. Antes de nós estavam pela ordem: Cuba, México, Uruguai, Argentina e Peru. Em 29 de fevereiro de 1924 instalou-se o Rotary Club de São Paulo, segundo do Brasil, que só um ano depois, a 24 de março de 1925, conseguiu filiação em Rotary International. Dos seus estatutos constavam reuniões quinzenais e o Rotary International exigia que fossem semanais. Embora modificando os estatutos, os Rotary Clubs brasileiros só passaram a realizar reuniões semanais em 1929. Em 26 de fevereiro de 1927 funda-se, com 25 sócios (o mais numeroso no ato da fundação), filiado em Rotary International, a 21.05.1927, o Rotary Club de Santos, apadrinhado pelos outros dois Rotary Clubs anteriores e por eles assistido. O 41° Rotary Club brasileiro surgiu pouco depois em Belo Horizonte a 13 de setembro de 1927, filiado a Rotary International sob o nº 2.701 em 10 de novembro de 1927. No mesmo ano funda-se ainda o 5° Rotary Club brasileiro de 1927, em Juiz de Fora, a 9 de novembro, filiado em Rotary International em 10.01.28. Em 1928 fundam-se Rotary Clubs em Niterói, Petrópolis, Campos, Porto Alegre.
A depressão econômica, que, aliás, foi generalizada por todo o mundo ocidental, terá sido uma das prováveis determinantes da brusca retração no surgimento de novos Rotary Clubs, no vasto território do Brasil; em 1929 e 1930, apenas 2 Rotary Clubs se fundaram nesse período: os de Ribeirão Preto e Nova Friburgo.
No entanto, a razão maior, que chegou a ameaçar o rotarismo no Brasil, foi, sem sombra de dúvida, o decreto-lei 330, de 18.04.38 da Presidência da República, que proibia "organizar, criar ou manter sociedades, fundações, companhias, clubes e quaisquer estabelecimentos de caráter político, ainda que tenham por fim exclusivo a propaganda ou difusão entre os seus compatriotas de idéias, programas ou normas de ação... a mesma proibição estende-se a sucursais...". O primeiro impacto desse decreto-lei foi a possibilidade funesta de que fossem obrigados a encerrar as atividades todos os Rotary Clubs então existentes. Com esforço do Rotary Club do Rio de Janeiro e a boa vontade do Ministro da Justiça de então, conseguiu-se contornar a situação substituindo nos estatutos dos Rotary Clubs, a palavra "filiação" (ao Rotary International) por "cooperação".
A partir de 1931, pois, ressurgiu o entusiasmo pela expansão, com raras e espaçadas oscilações. Hoje ocupamos o 3º lugar no mundo em número de clubes, superados pelos Estados Unidos e Japão.
Estrutura do Rotary International
Clubes

Os rotarianos são sócios de mais de 32.000 Rotary Clubs que formam a associação Rotary International (RI). Cada clube elege seus próprios dirigentes e desfruta considerável autonomia dentro da estrutura rotária. Cada club tem um presidente, eleito, com mandato de 1 ano, a iniciar-se em 1 julho de cada ano, com término em 30 junho.

Distritos
Os clubes estão agrupados em aproximadamente 530 distritos liderados por governadores, e cada distrito abrange cerca de 50 clubes. O objetivo de toda a administração distrital é apoiar os clubes. O governador é responsável pela gestão do distrito.

Conselho diretor do RI

O conselho diretor do RI é composto por 19 membros e se reúne trimestralmente para definir normas. Tradicionalmente, o presidente do RI, eleito anualmente, escolhe um lema e uma ênfase para o ano.
Secretaria
O RI é sediado em Evanston, Illinois, EUA, e tem sete escritórios internacionais na Argentina, Austrália, Brasil, Índia, Japão, Coréia e Suíça. Há também o escritório do Rotary International na Grã-Bretanha e Irlanda (RIBI), localizado na Inglaterra, que serve aos clubes e distritos daquela região.
A secretaria e seus 650 funcionários são administrados pelo secretário geral.
Conselho de Legislação
O Conselho de Legislação, como é chamado o “parlamento” do Rotary, se reúne a cada três anos para deliberar sobre todas as emendas e resoluções apresentadas por clubes, conferências distritais, conselho diretor do RI e conferência do Rotary para a Grã-Bretanha e Irlanda, ou pelo próprio conselho de legislação.
Curadores da Fundação Rotária
Os 15 curadores da Fundação Rotária são indicados pelo presidente do RI, com o aval do conselho diretor, para administrar todos os interesses da Fundação. O presidente do conselho de curadores serve mandato de um ano e os curadores servem mandato de quatro anos.

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO ROTÁRIA
Na Convenção de 1917, Arch Klumph propôs a criação de um fundo de dotações "com o intuito de fazer o bem no mundo". Em 19